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EXEMPLO Médico boliviano abandona consultório em SP e vai ajudar a combater incêndio em seu país: 'Precisava fazer algo'

Data da publicação: 20/09/2019 à00 09:44


Médico boliviano com carcaça de animal queimado após incêndio na Bolívia. â?? Foto: Ricardo Rivero/Arquivo pessoal

O médico boliviano Ricardo Rivero, que há mais de uma década vive e trabalha em Franca (SP), fechou há cerca de dez dias o seu consultório para atuar como voluntário no combate aos incêndios florestais em seu país. As queimadas, na região de Roboré, a cerca de 200 quilômetros de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, já destruíram segundo estimativas das autoridades bolivianas, aproximadamente 5 milhões de hectares.

"Precisava fazer algo para atentar amenizar o transtorno que o fogo tem causado", disse o médico, que utiliza seu conhecimento como piloto de parapente para identificar do céu os focos de queimada e depois avisa as equipes que estão em terra combatendo o incêndio.

"Estavam trabalhando com drones e os equipamentos não estavam dando a localização correta dos incêndios, por isso, que os bombeiros voluntários não conseguiam chegar até essa região", explica, que comentando que com sua contribuição são identificados os locais precisos dos focos, possibilitando o seu controle antes que avancem.

Segundo o médico, apesar do trabalho, a região já foi muito castigada pelos incêndios. "Acompanhamos por terra, no meio do mato, mas há muitos lugares em que mesmo que as forças humanas tentem, não está dando conta de combater as chamas. Carecemos de estrutura para carregar grandes quantidades de água, porque existem pontos em que os focos superam os 20 metros de altura".

"Meu trabalho começa na parte da manhã. Eu decolo às 6h e voo por duas horas procurando novos focos de incêndios. Passando essas informações para os bombeiros eles já vão para o local que foi indicado", explica.

 
 

O médico ainda contou que ao retornar do voo no fim da tarde, o trabalho continua por terra. Ele, junto com bombeiros e voluntários percorrem os lugares que estão com focos, identificados em seu voo, para combatê-los. Rivero conta que os ventos estão fortes na região, o que tem ajudado a propagar o fogo na mata seca.

Conforme o médico, as equipes que estão atuando no combate ao incêndio são compostas por bombeiros da Bolívia e de outros países, e voluntário de outras unidades militares bolivianas, como a polícia, além de cidadãos que estão preocupados com a situação. A equipes se revezam: "Minha equipe agora é composta por 30 pessoas.

O médico que há dez anos vive e trabalha no interior de São Paulo, disse que deixou família e pacientes para ajudar o seu país.

"Eu estava seguindo as informações vindas da Bolívia pelas redes sociais e jornais e me sentia impotente, de saber que havia gente sofrendo, animais sofrendo e que eu não estava fazendo nada para ajudá-los", explica.

De acordo com Rivero, que afirma que viveu por muito tempo em regiões como as atingidas pelo incêndio quando era criança, a situação retratada pelos meios de comunicação não chega nem perto da realidade dramática que a Bolívia enfrenta por conta das queimadas.

"É grande o sofrimentos das pessoas e há muito animais mortos. Esses dias saí com uma amigo e enchemos uma caminhonete de frutas para deixar no meio do mato para os animais que sobreviveram a essas catástrofe. Espero que alguns possa continuar a viver", disse otimista.

Conforme o médico, algumas áreas atingidas não apresentam nenhum sinal mais de vida: "Não tem sequer uma folha verde e é muito triste ver o que está acontecendo na minha Bolívia."

Ricardo finaliza que pretende retornar nesta sexta-feira (20) para o Brasil, disse que se pudesse ficar mais dias para ajudar no combate as chamas ficaria: " Se precisasse de mais duas semanas eu ficaria, mas tenho minhas responsabilidades no Brasil. Nesses dez dias foi muito intenso e espero que essas queimadas possa acabar o mais rápido possível", finaliza.

 

Fonte:Assessoria


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