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Corregedoria da Polícia Civil mira pagamento de propina a delegado

Data da publicação: 08/10/2019 à00 13:04


O pedido da Corregedoria da Polícia Civil para ter acesso a parte das provas recolhidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul tem como objetivo apurar a denúncia de que um delegado de Campo Grande recebu pagamento de R$ 100 mil de propina do grupo de extermínio chefiado pelo empresário Jamil Name e seu filho para não investigar e compartilhar informações para a execução do policial militar aposentado Ilson Martins de Figueiredo, então chefe de segurança da Assembleia Legislativa.

O crime ocorreu em 11 de junho de 2018. Naquela manhã, Figueiredo foi executado com mais de 35 tiros dentro de seu carro, um Kia Sportage branco, na Avenida Guaicurus, região sul da Capital. Os autores utilizaram munição de alta precisão, como a adequada a fuzis, com capacidade de perfurar veículos blindados.

O sargento aposentado da PM era conhecido por ser um dos primeiros policiais a integrar o então Grupo de Operações de Fronteira, atualmente chamado de Departamento de Operações de Fronteiras, em Dourados.

O inquérito da operação desencandeada em 27 de setembro e que prendeu um total de 19 pessoas, apontou que integrantes da milícia comentaram, logo após a morte de Figueiredo, que "passariam na delgacia para pagar o prêmio em mãos ao doutor." A informação foi passada por uma testemunha.

"Não era uma informação nova para nós (da Corregedoria), mas agopra com essas evidências podemos reforçar ainda mais nossas investigações", disse o delgado Jairo Carlos Mendes, corregedor-geral da Polícia Civil. É dele o ofício pedindo acesso ao material apreendido na operação, datado do último dia 4 e enderçado ao juiz da 7ª Vara Criminal de Competência Especial, Marcelo Ivo de Oliveira.

Por sigilo, Mendes não revla o nome do delegado suspeito e nem a motivação para seu envolvimento com a milícia.

Figueiredo teria virado alvo da milícia em maio de 2011, quando foi acusado pelo bando de estar envolvido na morte de Daniel Alvarez Georges, então com 43 anos, filho do empresário Fahd Jamil e suspeito de crimes na região da fronteira do Estado com o Paraguai. O corpo nunca foi localizado e em junho, Jamil pediu oficialmente à Justiça para que o filho seja considerado legalmente morto.

O sargento aposentado da PM nunca foi indiciado formalmente ou considerado suspeito pelo crime, atribuído pelas autoridades à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O CASO

Os três policiais civis que estavam na ativa e foram presos na Operação Omertá, deflagrada na semana passada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e Grupo Armado de Repressão a Assaltos e Sequestros (Garras) foram afastados oficialmente de suas funções.

Em publicação no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (2) o corregedor-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Jairo Carlos Mendes afastou compulsoriamente os policiais Frederico Maldonado Arruda, Márcio Cavalcanti da Silva e Elvis Elir Camargo Lima.

Conforme a publicação, os policiais terão a sua arma recolhida, bem como a carteira funcional e demais pertences do patrimônio público destinado aos policiais, além da suspensão de senhas e login de acesso aos bancos de dados da instituição policial, suspensão de férias e de avaliação para fins de promoção.

O afastamento, ainda segundo o documento, será contado a partir da prisão preventiva dos policiais, que ocorreu na sexta-feira (27), dia que a operação foi deflagrada.

Além dos três afastados, um quarto policial civil aposentado também foi preso, apontado como participante de grupo de extermínio que atuava em Mato Grosso do Sul sob o comando dos empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, que também foram levados para a delegacia. Vladenilson Daniel Olmedo, de acordo com as investigações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, faria parte do grupo de apoio da milícia.

OMERTÁ

Além do empresário, de seu filho e dos quatro policiais civis, outros quatro guardas municipais, um policial federal, um militar do Exército, um caseiro de propriedade rural e também profissionais do Direito foram presos na sexta-feira, em Campo Grande e no interior do Estado, em operação que combate milícia armada especializada em crimes de pistolagem, denominada Omertá.

Os assassinatos de pelo menos três pessoas estão relacionados com o grupo de extermínio sob investigação: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante de Direito Matheus Xavier, em abril deste ano.

Na segunda-feira, Gaeco e Garras distribuíram cartazes pedindo informações dos foragidos. Até o fim da tarde de ontem, a recompensa oferecida era de pelo menos R$ 2 mil (valor que, segundo eles, poderia aumentar).

Para dar o nome à operação, os policiais utilizaram um termo do dialeto napolitano, do idioma italiano. Omertá, conforme o Gaeco, é um termo que se fundamenta em um forte sentido de família e em um silêncio que impede a cooperação com autoridades policiais ou judiciárias. Trata-se de um código de honra muito usado nas máfias do Sul da Itália.

 

Fonte:>Assessoria


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