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BBC News O Portal de Notícias do Centro-Oeste www.bbcnews.com.br 27.07.06 -09:58 |
| QUEM É CARLOS DUTRA?
BIOGRAFIA DO CANDIDATO A GOVERNADOR DE MATO GROSSO DO SUL (PSOL) |
Gaúcho de nascimento, natural de Cacequi-RS e sul-mato-grossense por opção, Carlos Alberto dos Santos Dutra, popular CARLITO, tem 50 anos e vive em Brasilândia-MS há 20 anos. Funcionário público municipal, casado, diácono católico, pai de 3 filhas, possui uma formação acadêmica que vai desde a medicina veterinária (UFPel), até a filosofia (UCPel), teologia (PUC-RS), passando por ciências sociais (UNESP), direito (UFMS), e história, onde é especialista (UFMS-CEUL) e mestre (UFMS-CEUD). Também é advogado, indigenista, professor, poeta e escritor.
Primogênito de uma família de 8 irmãos, pai ferroviário e mãe costureira, aos 11 anos de idade concluiu o curso primário e conquistou seu primeiro emprego como vendedor ambulante de verduras. Dois anos depois era balconista de uma lanchonete e, depois, office boy em um escritório de contabilidade. Aos 15 anos, ingressou sob regime de internato em Colégio Agrícola, formando-se técnico agrícola, indo logo prestar serviço militar, graduando-se cabo. No quartel funda o primeiro Grêmio de Soldados da corporação e começa a escrever suas primeira poesias. Trabalha como técnico agrícola em inseminação artificial de ovinos e como administrador em granja de exportação de semente de melancia.
Aos 21 anos emprega-se na Rede Ferroviária Federal como trabalhador braçal em turma de montagem de pontes e, paralelamente, obtém aprovação no vestibular para medicina veterinária na Universidade Federal de Pelotas-RS. Vive em casa de estudante, obtém crédito educativo e participa como estagiário do Projeto Rondon em bairros populares de Porto Alegre-RS na Vila Monte Cristo. Em 1978, com 22 anos de idade engaja-se nos trabalhos pastorais da igreja católica, onde participa de missões populares, grupo Legião de Maria e Comunidades Eclesiais de Base-CEBs.
Nessa época, desperta-lhe a sua vocação sacerdotal, quando, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Pelotas-RS, participa do Grupo de Jovens Chance Nova, tendo o seu nome indicado por D. Ângelo Mugnol, Bispo de Bagé-RS, para ingressar no Seminário Diocesano São Francisco de Paula, de Pelotas-RS Já como estudante de Filosofia atua na Paróquia do Bairro Areal na pastoral da CEB Cristo Libertador e funda o Grupo de Jovens Bacurau, ocasião em que prepara um grupo e a si mesmo para o Crisma. Em 25 de Julho de 1980, acompanha os vocacionados na audiência com o Papa João Paulo II, em Porto Alegre-RS.
Aos 25 anos, conclui o curso de medicina veterinária, e recebe o Crisma na Comunidade Santo Cura d'Ars, ministrado por D. Jayme Chemello. Um ano depois ingressa no curso de Teologia, em Porto Alegre-RS e, na Paróquia São José de Murialdo, atua na pastoral junto aos marginalizados da Comunidade da Vila Vargas. Vive na Comunidade dos Teólogos e nesse período recebe as ordens menores do Acolitato e Leitorato.
Durante o curso de teologia acompanha os movimentos dos acampados Sem-Terra, participando de pastorais e romarias da terra, nas localidades de Encruzilhada Natalino e Ronda Alta, ao lado de pastores da Igreja Brasileira de Confissão Luterana no Brasil e Igreja Metodista na luta pela Reforma Agrária. Sob a inspiração da Teologia da Libertação, de Gustavo Gutierrez, inicia nesse período a fase onde começa a escrever artigos para jornais e revistas sobre temas sociais. Hoje Carlito tem mais de 800 artigos sobre temas sociais publicados no Brasil e no exterior.
Durante o curso de Teologia filia-se à Associação de Apoio ao Índio-ANAÍ, de Porto Alegre-RS e mantém contato com indígenas Guarani Mbyá e Kaingang do Estado. Aos 29 anos conclui o curso de bacharel em Teologia e faz sua opção de vida em favor dos excluídos. Deixa o Rio Grande do Sul e, já no Estado de Mato Grosso do Sul, na Diocese de Dourados-MS, ingressa no Conselho Indigenista Missionário-CIMI, órgão anexo a CNBB, dedicando-se a partir daí à causa indígena e dos campesinos.
Em 1985 foi convidado por D. Luciano Mendes de Almeida, então Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, e Antonio Brand, coordenador regional do CIMI em Mato Grosso do Sul, para atuar junto aos indígenas Ofaié Xavante que haviam sido expulsos de suas terras em Brasilândia-MS e transferidos para a Reserva Indígena Kadiwéu, nos limites da serra da Bodoquena, no pantanal sul-mato-grossense. A partir desse período, passa a atuar como missionário, inicialmente em Dourados, como representante do CIMI, e depois na Diocese de Jardim-MS, assumindo as atividades pastorais da comunidade de Morraria do Sul, no município de Bodoquena-MS, sob orientação do bispo D. Onofre Rosas. Vive um período de seis meses junto aos índios Ofaié na região do Tarumã, aprendendo a língua e os costumes, tendo participado de cursos de Antropologia ministrados pelo CIMI em Belém-PA..
Na Diocese de Três Lagoas-MS, atuou na Coordenação Diocesana de Pastoral e na Pastoral Indígena (CIMI), sob a orientação de D. Izidoro Kosinski. Casado desde 1988 com a professora Vilma Galli Dutra, gaúcha de Aratiba-RS, vive no município de Brasilândia-MS ao lado das duas filhas do casal Laura Galli Dutra (17 anos) e Maria Angélica Galli Dutra (14 anos). Carlito também é pai de Daline Moína Matsunaka Dutra (18 anos), primogênita, acadêmica de Geografia (UFMS), e que vive com os familiares de sua mãe em Campo Grande.
Depois de cursar cinco semestres em Ciência Sociais (UNESP-Marília-SP) e pesquisar durante cinco anos a etnohistória do povo Ofaié organiza a publicação do livro ?Ofaié morte e vida de um povo? editado em 1996 pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Enquanto atua na Paróquia Cristo Bom Pastor, em Brasilândia, na animação de grupos de reflexão, círculos bíblicos, associações de bairro, recebe das mãos de D. Izidoro Kosinski mandato para atuar como Ministro Extraordinário da Comunhão, Batismo e Matrimônio. Em 2002 recebe do mesmo Bispo a ordem do Diaconato permanente.
Nesse período, Carlito foi presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Thomaz de Almeida-AMATA, do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Brasilândia-CODECOMB, e participou como membro atuante da diretoria da Associação de Voluntário de Combate ao Câncer-AVCC e de diversos conselho municipais (Saúde, Diretos da Criança e do Adolescente, e Assistência Social). Na atualidade é presidente do Instituto Cisalpina de Pesquisa e Educação Sócio Ambiental de Brasilândia e membro da diretoria da Associação de Agentes Ambientais de Brasilândia-ASSOBRA.
Em nível estadual, em 1989 foi presidente interino do Conselho Estadual dos Direitos Indígenas (CEDIN), órgão ligado à Secretaria da Justiça do Estado. É um dos fundadores do Centro de Defesa dos Direitos Humanos CDDH Marçal de Souza Tupã-I, de Campo Grande, tendo representado o Brasil, no 2º Taller de Integración de los Pueblos Latinos, em Santa Cruz de la Sierra e La Paz (Bolívia), ao lado de Ricardo Brandão e Chico Brambati, em 1998. Carlito também é o atual Secretário do Conselho Regional de Desenvolvimento Sustentável-COREDES-Bolsão e foi o ganhador em 2000 do 1º Prêmio Marçal de Souza conferido pela Assembléia Legislativa do Estado pela publicação do livro ?Ofaié morte e vida de um povo?.
Pioneiro incansável da luta pela terra dos indígenas Ofaié, de Brasilândia-MS, participou ativamente das audiências e negociações junto a Companhia Energética de São Paulo-CESP, Fundação Nacional do Índio-FUNAI e governo do Estado. Autor de 5 livros, entre eles, a obra ?As ocupações de terra e a produção do direito?, publicado pela editora Scortecci, em 2003 e que desafiou a academia levando a temática dos sem-terra para os bancos da faculdade de Direito. É membro da Academia Municipalista de Letras de Três Lagoas, autor da letra do Hino oficial do município de Brasilândia, tendo recebido diversos prêmios literários, homenagens legislativas, redigindo artigos para a Lei Orgânica do Município de Brasilândia, programa de rádio e peças teatrais estudantis. Advogado militante das causas populares, desde 2004, tem curso de especialização em Direito Crítico, na corrente do Direito Achado na Rua (UNB-Brasília), especializado em História do Brasil e possuindo o grau de Mestre em História Indígena (UFMS-Dourados).
Ao lado de Irineu de Souza Brito, em 1988, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores-PT em Brasilândia-MS, ocupando sempre o cargo de Secretário de Organização. Concorreu como candidato único do PT ao cargo de Vereador na eleição de 1996, sendo um dos mais votados, porém não elegeu-se por falta de votos na legenda. Derrotado nas eleições municipais de 2000, elegeu-se em 2004 como o primeiro vereador do PT em Brasilândia. Filiado à corrente da Articulação de Esquerda, através de seu mandato participativo e popular, é autor do Projeto de Resolução que criou a Tribuna Livre na Câmara, e os Projetos de Lei que criaram o Conselho Municipal de Cultura, o Fundo de Investimentos Culturais e o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, além de ter proporcionado projetos de isenção de taxas de preparo de terra para os pequenos agricultores do município, garantindo a obrigatoriedade da realização da Audiência Pública do Orçamento Municipal, entre outros de alcance popular.
Em setembro de 2005, diante da grave crise ética que se abateu sobre o Partido, deixou o PT juntamente com outros companheiros e filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade-PSOL em razão de suas convicções pessoais e ideológicas haver entrado em rota de colisão com a corrente majoritária do Partido governista, sobretudo em Mato Grosso do Sul. Ao filiar-se no PSOL. Carlito tornou-se o primeiro vereador do Estado a ingressar nas fileiras do PSOL em Mato Grosso do Sul.
Antropólogo colaborador em diversos grupos de trabalho oficiais-GTs do governo Federal e Estadual, Carlito, nas palavras do Juiz de Direito José Berlange Andrade, no prefácio do livro ?Razão e utopia, textos rebeldes?, publicado por Carlito em 1998, ?é uma presença forte e incômoda nessa região sul-mato-grossense que se imbrica com o noroeste paulista e a orla barranqueira do rio Paraná (...) seus textos assumem solidariedade à luta dos explorados. Levam luz, esperança, inquietude ou incômodo, mas contribuem sempre para a compreensão do homem ou do cenário onde realiza seus atos sociais (...)?.
Como lema, Carlito adota o pensamento de Agostinho Neto, um dos líderes da revolução socialista de Angola: ?Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é preciso que a pureza e a justiça existam dentro de nós?.
Tomando por base as palavras do Padre Camilo Torres, da Frente de Libertação Nacional, da Colômbia, assassinado em 1966 pelo exército daquele país, Carlito diz; ?Sou socialista, como brasileiro, como historiador e como cristão. Como brasileiro, porque não posso estar alheio às lutas do povo. Como historiador, porque graças ao conhecimento científico que tenho da realidade, cheguei a convicção de que as soluções técnicas e eficazes não são alcançadas sem uma revolução. Como cristão, porque a essência do cristianismo é o amor ao próximo e somente com o socialismo se pode conseguir o bem da maioria?.
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| Fonte: Comissão Executiva Municipal Provisória do PSOL de Brasilândia-MS
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