“Flávio vai acabar com o Pix”, diz Lindbergh após críticas dos EUA ao sistema brasileiro

Deputado do PT reage a relatório comercial do governo americano, acusa o senador de se omitir e transforma o Pix em novo foco da disputa política sobre soberania nacional.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) elevou o tom nesta quinta-feira (2) ao acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ameaçar o futuro do Pix em meio às críticas dos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos do Brasil. Em publicação nas redes sociais, Lindbergh afirmou que o “patriotismo” do adversário termina quando entram em cena os interesses de Donald Trump e disse que o Pix virou alvo de uma pressão externa à qual Flávio não estaria reagindo.

A ofensiva política acontece após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, incluir o Pix no relatório anual de barreiras comerciais. No documento, o órgão afirma que o Banco Central do Brasil “criou, possui, opera e regula” o Pix e registra reclamações de setores americanos sobre um suposto tratamento preferencial ao sistema brasileiro, acrescentando que instituições financeiras com mais de 500 mil contas são obrigadas a ofertá-lo.

O relatório reacende um atrito que já vinha sendo ampliado por Washington. O próprio USTR mantém aberta, desde julho de 2025, uma investigação sob a Seção 301 sobre práticas brasileiras ligadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, além de outros temas. Esse ponto amplia o peso político do debate, porque mostra que o Pix passou a integrar uma disputa comercial e regulatória mais ampla entre os dois países.

No centro da reação governista está a defesa de que o Pix é uma infraestrutura nacional estratégica. Em sua página oficial, o Banco Central informa que o Pix é um sistema de pagamento instantâneo criado pelo BC e que a autoridade monetária opera a infraestrutura responsável pela liquidação das transações em segundos, todos os dias e a qualquer hora.

Com isso, a fala de Lindbergh transforma o embate em algo maior do que uma troca de acusações entre aliados de Lula e da família Bolsonaro. O que está em disputa agora é a narrativa sobre quem defende, de fato, a autonomia do Brasil em áreas sensíveis da economia digital — e o Pix, símbolo dessa agenda, passou a ocupar o centro desse confronto.