Presidente afirmou que oposição tenta responsabilizar o PT pelo rombo do banco e disse que governo não deixará “pedra sobre pedra” nas investigações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o caso do Banco Master é resultado de decisões tomadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e da gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. A declaração foi feita durante evento do PT que marcou o lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

Em discurso, Lula acusou a oposição de tentar associar ao PT e ao atual governo a responsabilidade pelo prejuízo bilionário ligado ao banco. Segundo o presidente, o Master seria uma herança da gestão anterior e da condução do Banco Central naquele período.
“Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos”, disse Lula, ao afirmar que o governo pretende aprofundar as investigações sobre o caso. O presidente também declarou que não permitirá tentativa de transferir ao seu governo a culpa pelos problemas envolvendo a instituição financeira.
Lula citou ainda que o banco teria surgido em 2019 e afirmou que o reconhecimento da instituição ocorreu sob a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Para o petista, é necessário avançar nas apurações para esclarecer responsabilidades e evitar distorções no debate político.
O caso do Banco Master é alvo de ao menos três frentes de investigação. Uma delas trata da tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Outra apura supostas fraudes financeiras praticadas por meio de fundos de investimento. A terceira investiga a atuação de influenciadores digitais que teriam sido pagos para atacar o Banco Central em publicações nas redes sociais.
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso no início de março em novos desdobramentos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Durante o mesmo evento, Lula também falou sobre a composição da chapa para as eleições de outubro e afirmou que ficaria “imensamente feliz” em ter Geraldo Alckmin novamente como candidato a vice-presidente. No entanto, disse que o vice-presidente também pode disputar uma vaga ao Senado, a depender de conversas com Haddad e da estratégia eleitoral do partido em São Paulo.
O presidente ressaltou que a eleição representa uma oportunidade para a esquerda ampliar sua presença no Senado paulista, atualmente sem representantes alinhados à base do governo federal.
Além do cenário político interno, Lula voltou a fazer críticas ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, o órgão, formado por Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia, falha em sua missão de preservar a paz internacional.
Ao comentar os conflitos em curso pelo mundo, Lula afirmou que o atual momento é um dos mais graves desde a Segunda Guerra Mundial. Ele defendeu novamente a reformulação do Conselho de Segurança, argumentando que a estrutura atual está concentrada nas grandes potências e já não representa a realidade do mundo contemporâneo.



