BC diz que liquidação do Master não abalou sistema financeiro, mas alerta para riscos globais

Ata do Comitê de Estabilidade Financeira aponta que o choque foi absorvido pelos mecanismos de proteção do FGC, enquanto o cenário externo segue no radar do Banco Central.

A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do Conglomerado Master não provocou efeito sistêmico no Sistema Financeiro Nacional, segundo avaliação do Banco Central na ata da 64ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), divulgada nesta quinta-feira. O documento, referente ao encontro realizado em 11 e 12 de março, afirma que o episódio foi absorvido sem contaminação mais ampla do mercado financeiro brasileiro.

De acordo com o BC, os mecanismos de proteção ligados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram acionados “conforme o modelo institucional vigente”, o que, na avaliação da autoridade monetária, demonstrou capacidade de absorção de choques e resiliência do sistema. A ata também registra que o plano de recomposição da liquidez do FGC foi aprovado por seu conselho de administração e iniciado em março de 2026.

O diagnóstico do Comef reforça a leitura de que, no front doméstico, o sistema financeiro segue sólido. O Banco Central afirma que os níveis de capitalização e liquidez permanecem acima dos requerimentos prudenciais e que os testes de estresse indicam capacidade de absorver perdas mesmo em cenários adversos, embora o ambiente de crédito ainda exija cautela diante do elevado endividamento de famílias e empresas.

Apesar do alívio no caso Master, o tom da ata é de atenção redobrada com o ambiente internacional. O comitê avaliou que o cenário global prospectivo continua trazendo riscos de reprecificação de ativos financeiros, citando incertezas ligadas ao reposicionamento de políticas econômicas, a eventos geopolíticos, aos juros de longo prazo nas economias centrais, à sustentabilidade fiscal e à valorização de ativos de risco.

Nos bastidores, o BC já vinha adotando medidas para reforçar a capacidade do FGC, incluindo uma mudança regulatória anunciada no início do mês e estimada em cerca de R$ 30 bilhões de alívio em 2026. Ao mesmo tempo, o agravamento das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo ajudaram a tornar mais cautelosa a condução recente da política monetária, sinalizando que, embora o caso Master tenha sido contido, a principal fonte de instabilidade agora está fora do país.