Governo mantém negociações com EUA e acompanha audiências sobre tarifaço sem participação direta

Brasil enviará observadores às audiências públicas em Washington, enquanto aposta em articulações diplomáticas para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros O governo brasileiro decidiu manter sua estratégia de negociação direta com os Estados Unidos e não participará como expositor das audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que começaram nesta […]

Brasil enviará observadores às audiências públicas em Washington, enquanto aposta em articulações diplomáticas para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros

O governo brasileiro decidiu manter sua estratégia de negociação direta com os Estados Unidos e não participará como expositor das audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que começaram nesta segunda-feira (6), para discutir a proposta de aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Embora não tenha se inscrito para apresentar argumentos durante as sessões, o Brasil acompanhará os debates por meio de representantes da embaixada em Washington, que atuarão como observadores. A decisão foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores e reforça a avaliação do governo de que as audiências possuem caráter consultivo, enquanto as negociações efetivas devem continuar ocorrendo por meio dos canais diplomáticos já estabelecidos entre os dois países.

Governo aposta em diálogo diplomático

A estratégia do Palácio do Planalto permanece concentrada nas conversas técnicas e de alto nível que vêm sendo realizadas nas últimas semanas entre autoridades brasileiras e norte-americanas.

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir alternativas ao chamado tarifaço. Durante o encontro, o governo brasileiro apresentou uma proposta contendo respostas aos seis pontos levantados pelas autoridades norte-americanas durante a investigação comercial.

Até o momento, entretanto, o Brasil ainda não recebeu uma resposta oficial da administração dos Estados Unidos.

Prazo termina em 15 de julho

As negociações ocorrem em ritmo acelerado, já que o prazo para um entendimento entre os dois países termina em 15 de julho.

O governo brasileiro busca convencer Washington de que a adoção das novas tarifas poderá trazer prejuízos para ambas as economias. Entre os argumentos apresentados estão dados sobre a balança comercial entre os países, além das medidas adotadas pelo Brasil em áreas como preservação ambiental e combate ao desmatamento.

Nos bastidores, integrantes do governo admitem que o tempo é curto, mas mantêm a expectativa de reduzir os impactos da medida por meio das negociações em andamento.

Flávio Bolsonaro participará das audiências

Enquanto o governo optou por não discursar durante as audiências públicas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, confirmou participação no evento organizado pelo USTR.

O parlamentar será um dos expositores do segundo dia de audiências e deverá apresentar sua posição sobre a política comercial envolvendo Brasil e Estados Unidos.

Também participarão representantes de diferentes segmentos do setor produtivo brasileiro, que pretendem defender a manutenção das relações comerciais e buscar alternativas para evitar prejuízos às exportações nacionais.

Busca por novos mercados

Além das negociações com os Estados Unidos, o governo brasileiro afirma que continuará ampliando sua estratégia de diversificação comercial.

O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, destacou que o país vem conquistando novos mercados internacionais nos últimos anos e afirmou que esse processo deverá continuar, independentemente do desfecho das negociações com Washington.

Segundo o ministro, o recente avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia demonstra o fortalecimento da presença brasileira no comércio exterior e amplia as possibilidades para empresas nacionais, especialmente de pequeno e médio porte.

Governo vê componente político na investigação

Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que a investigação conduzida pelo governo norte-americano possui forte componente político.

De acordo com interlocutores do governo, os documentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a proposta de tarifas apresentam poucas diferenças em relação aos textos elaborados no início da investigação, ainda em 2025, indicando que os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil tiveram pouca influência sobre a condução do processo.

Diante desse cenário, integrantes da equipe econômica consideram improvável uma reversão completa do tarifaço. A expectativa mais otimista é de que as negociações resultem em uma redução das tarifas inicialmente previstas ou na criação de exceções para determinados produtos brasileiros.

Com o prazo final se aproximando, o governo intensifica sua atuação diplomática na tentativa de preservar as exportações brasileiras e minimizar os impactos econômicos de uma eventual adoção das novas barreiras comerciais pelos Estados Unidos.