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O pessimismo no agronegócio

Data da publicação: 28/08/2014 à00 06:40


 

O pessimismo chegou ao agronegócio brasileiro. Foi esse o sinal de alerta dado pelo Índice 

de Confiança do Agronegócio, apresentado essa semana pela Federação das Indústrias do 

Estado de São Paulo (Fiesp) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). A forte queda 

de 10,9 pontos no segundo trimestre de 2014 em relação ao trimestre anterior, passando de 

102,7 para 91,8 pontos, é a comprovação daquilo que muitos já suspeitavam e temiam: a onda 

pessimista, que atinge praticamente todos os setores da economia, chegou ao único setor que 

ainda resistia e permanecia neutro/otimista, graças aos excelentes resultados de produção e 

exportação que contribuem até hoje para a manutenção de nossa balança comercial favorável. 

O índice apresentou variação negativa em todos os elos da cadeia, do pré-porteira (-7,8 

pontos) ao pós-porteira (-19,8 pontos), deixando claro o descontentamento do setor com a 

situação atual da economia brasileira e a diminuição do otimismo em relação à situação futura. 

Mesmo a “confiança do produtor agrícola”, que geralmente se mantém elevada, caiu 6 pontos 

na comparação com o 1o trimestre de 2014, em grande parte pela preocupação com os custos 

de produção.

O momento ruim da economia brasileira também reflete na sua capacidade de fazer frente 

a outros países concorrentes. Nos últimos quatro anos, o Brasil foi o que mais perdeu 

posições no ranking mundial de competitividade, caindo 38o lugar para o 54o entre as 60 

economias analisadas pelo International Institute for Management Development (IMD) e 

pela Fundação Dom Cabral. Esses dados, somados ao pessimismo que agora assombra o 

agronegócio, sinalizam a necessidade de criarmos um ambiente de negócios mais seguro e 

estruturado no setor, com sólidos investimentos em políticas agrícolas, infraestrutura, logística 

e, principalmente, tecnologia, uma das grandes responsáveis pelo aumento da produtividade 

brasileira. 

Os agricultores brasileiros têm feito sua parte. O Índice de Confiança do Agronegócio mostra 

que houve manutenção da expectativa de investimento em tecnologia ligada ao custeio da 

safra. Isso demonstra a preocupação com a alta incidência de pragas e doenças e o aumento 

no custo de produção, que levam a um maior uso de defensivos agrícolas e de sementes mais 

produtivas. Prova disso é o aumento de 17,9% nas vendas de defensivos agrícolas em 2013 em 

relação a 2012, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal 

(Sindiveg).

Não podemos permitir que o agronegócio, um dos motores mais confiáveis e eficientes da 

nossa economia, comece a engasgar. Se o setor que responde por um terço dos empregos e 

um quarto do PIB do País começa a ficar pessimista, é sinal de que precisamos reagir rápido 

e investir em políticas públicas voltadas ao agronegócio. O cenário macroeconômico dos 

últimos 12 meses amedronta até o mais otimista dos agricultores, mas sabemos que alguns 

gargalos já se estendem por muitos anos, como crédito agrícola e a falta de uma infraestrutura 

logística que atenda com maior eficiência o escoamento da produção interna e externa. Que 

aproveitemos o período das eleições para analisar as propostas de cada candidato e eleger 

aquela que melhor nos atenda. 

Eduardo Daher é diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef.


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